Que tipo de revolucionário foi Jesus?



Quando se fala de revolução, pensa-se em um levante popular, rebelando-se contra autoridades constituídas, depondo governos, provocando divisões, instigando o ódio e a revolta.
E não é por menos. Basta uma rápida verificada na História para constatar isso. 
Toda revolução política teve seus mortos, desaparecidos, desapossados de suas
terras ou posições, etc.


Porém, ao falarmos de revolução, não estamos endossando tais coisas.
Na revolução proposta por Jesus, ninguém sai machucado, destruído. Aliás, a
expectativa dos discípulos era de que Jesus promovesse um levante contra Roma e
as autoridades judaicas que havia se promiscuído com o Império.


Mas Jesus propunha um tipo de revolução totalmente inversa ao que eles
esperavam. Não uma revolução armada, mas uma revolução de amor. Existiria algo
mais forte que o amor?


O Evangelho é, por si só, a mais subversiva mensagem jamais pregada.
Vejamos alguns exemplos de seu conteúdo subversivo e revolucionário.
Talvez o mais subversivo sermão pregado por Jesus tenha sido o que ficou
conhecido como Sermão da Montanha.


Enquanto o senso comum acreditava que felizes eram os ricos arrogantes, Jesus
afirma que felizes são os pobres de espírito. Se para eles felizes eram os que
gargalhavam nos banquetes dos palácios, para Jesus, felizes eram os que
choravam.


Neste sermão, o Mestre Galileu propõe uma ética totalmente inversa àquela
disseminada pelos mestres da época.

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo:
Não resistais ao homem mau. Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe
também a outra. E se alguém quiser demandar contigo e tirar-te a túnica
deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele
duas” (Mt.5:38-41). Ora, se isso não é subversivo, o que é, então?

 Não se trata apenas de pacifismo, mas de amor.
“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu,
porém, vos digo: Amai a vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”
(vv.43-44).
 

Em momento algum, Jesus endossou o estilo de vida vigente à época. Seu
compromisso não era com a manutenção do Status Quo, mas com a introdução de uma
nova ordem de coisas, onde o ser humano teria mais importância do que as
instituições e tradições. Onde o sábado fora feito para o bem-estar do homem, e
não o homem para o sábado.


Ele denunciou através de Seus ensinamentos a inversão de valores predominante
naquela sociedade. Desferiu um golpe fatal no espírito consumista, colocando a
avareza como oponente de Deus.


“Ninguém pode servir a dois senhores. Ou há de odiar a um e amar o outro, ou se
devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”
(v.24).


Em outras passagens, Ele demonstra que no Reino de Deus as coisas funcionam de
maneira inversa ao mundo. No Reino quem quiser ser o maior, tem que ser o menor.
Quem amar sua própria vida, acabará desperdiçando-a, mas quem se dispuser a
gastá-la por amor de Cristo, a reencontrará.


Ora, não há nome mais próprio para isso que subversão.

Infelizmente, a igreja cristã tem se promiscuído com o mundo, trocando os
valores eternos do reino pelas propostas indecorosas feitas por um sistema
apodrecido. Pastores, em busca de fama e reconhecimento, vendem-se e negociam os
votos de seu rebanho.

Cristãos ajustaram suas crenças às agendas políticas e ideológicas. A verdade
foi trocada por um prato de lentilhas, e pior, lentilhas podres.

Se antes corríamos o risco de colocarmos vinho novo em odres velhos, hoje há
muitos odres novos, estratégias, marketing, estruturas eclesiásticas para todo
gosto. Porém, o vinho está em falta. Os odres estão vazios. As igrejas estão
cheias de pessoas vazias.


Creio que assim como a Reforma só aconteceu porque a igreja redescobriu o
conteúdo subversivo das epístolas paulinas, a Revolução acontecerá quando a
igreja redescobrir o teor subversivo dos Evangelhos, principalmente do Sermão da
Montanha.


Em vez de gastarmos nosso tempo pregando invencionices humanas, retornemos à
mensagem do Reino e do Amor de Cristo. Em vez de uma nova Reforma Protestante,
necessitamos sim é de uma Revolução Reinista, isto é, centrada no Reino, e não
em estruturas denominacionais.

1 comentários:

Malaq -Al-Haq disse...

Cara essa parte de pobres de espirito nao combina, na realidade é pobres pelo espirito o significado é diferente. Esta um pouco fraco essa revoluçao eim... tem que ser mais forte